Jáber Felippe, narrou vários esportes por 27 anos em Paranavaí

Um narrador eclético de vários esportes, este foi Jáber Fellipe, 81 anos, mineiro de São Sebastião do Paraíso, atualmente aposentado, que chegou à Paranavaí em fevereiro de 1952, quando solicitado narrou futebol, basquetebol, futsal, vôlei, luta livre e box, além de comentar.

Moacir Saver (gerente), Jáber e Ademir Schiavone (dono da Rádio Paranavaí) comentarista

Jáber treinou na categoria Infantil do Atlético Clube Paranavaí. Com mais idade treinava com veteranos no campinho do Estádio Natal Francisco, depois jogou na mesma categoria no Harmonia Country Club que reunia sócios e alguns ex-profissionais do ACP. Outro que Jáber jogou foi o formado pelo Durval Durante (Cebola) no Clube Campestre, com ex- profissionais e excelentes atletas do futebol amador.

Era atleta de fim de semana.  No profissionalismo na minha família somente o Edson (Salomão) no ACP amador e profissional quando entrou do Campeonato Paranaense. E também o Tequinha (in memoriam) que foi vice-campeão do que seria a Segunda Divisão Paulista, pelo Altinópolis F.C.”

Falou Jáber
Jáber no time do Cebola, no Clube Campestre

O amor de Jáber pelo microfone começou acidentalmente em 1957.

Quando o Joseval Peixoto fez uma transmissão em Paranavaí junto com Raimundo Lago na Rádio Paranavaí de um jogo em que o Olaria do Rio venceu o ACP por 3 a 1, depois voltou para Presidente Prudente onde morava e de lá foi para a BAND, na época de Edson Leite, Pedro Luís, Fiori Gigliotti e outros cobras do rádio. Encerrando sua carreira como noticiarista do SBT junto com Raquel Scherazade.

Jáber no time dos professores da Escola do Comércio

Visitando a Rádio Paranavaí, a única na época, o Raimundo Lago me convidou para apresentar um noticiário, só para teste, e me indicou ao gerente da emissora para apresentar os programas esportivos. Dalí veio a ideia de fazer uma linha desde a emissora até o Estádio e o ACP se encarregou de fazer duas cabines, uma para a Paranavaí e outra para emissoras visitantes”.

Explicou Jáber Felippe
Mesa Redonda na TV Tibagi em Apucarana

Jáber transmitiu um jogo de basquetebol do ACP x Ponta Grossa, que era o maior time da época no Paraná. Também transmitiu luta de Box e Luta Livre em um Parque de Diversões, gerenciado pelo ex-técnico Ferreirão, que fazia temporadas em Paranavaí e arrastava muito público e apostas, com lutadores profissionais de São Paulo. Narrou jogos de Vôlei e Futebol de Salão (Futsal) no Ginásio Noroeste feito pelo prefeito Dionísio Dal-Prá.

Rubens, Edson, Pelé, Geraldo, Jáber, Tequinha e Neno

No futebol, que ainda era amador, narrei jogos do São Paulo, Olaria e Bonsucesso do Rio, Nacional de Porto Alegre, Noroeste de Bauru que impôs um placar de 5 a 1 no ACP e que foi o ponto de partida para o profissionalismo, pois o Noroeste tinha Ranulfo, ex-seleção Carioca, São Paulo FC e Bangu do Rio, e que acertou com o Waldemiro Vagner para ser jogador e treinador. Com ele vieram craques como Vitor, Periquito, Osvaldo (irmãos do Toninho do São Paulo e Santo) e um ponta esquerda que era um terror para os adversários, o Pedrinho. O ACP tinha bons amadores como Delci, Salomão, Osmar, o paraguaio Ayala, João Preto, Lauro Machado, enquanto outros atletas foram buscados do Rio Grande do Sul pelo Miguel Tranin, como Alduino e Cangerê (este ex-São Paulo, Internacional e Noroeste). Em 1966, o Efraim Machado que tinha montado a Rádio Cultura, com exemplo de qualidade não só técnica, mas de profissionais brilhantes, me convidou para fazer parte da equipe, para implantar o esporte na emissora, com proposta financeira que até então era pequena, acabei indo”.

Disse o narrador esportivo

O mineiro em 1956 recebeu o pedido para a fazer a página de esportes do Diário do Noroeste, de Paranavaí, estreando com a reportagem cuja manchete foi “Show dos Diabos Rubros no Paraíso” numa alusão a vitória do ACP em Paraíso do Norte, que no domingo anterior havia ganho em Paranavaí por 3 a 1. Também participou por alguns meses da Mesa Redonda da TV Tibagi, de Apucarana, comando por Edgar Arantes e cronistas de Londrina.

Estádio Felipão

Não tenho a mínima ideia de quantos jogos eu narrei. Eu sei que foi desde 1957 até 1.984, quando cansei das minhas múltiplas atividades na empresa com meus irmãos, as Casas Felipe que crescia não só no Paraná, como São Paulo, Mato Grosso do Sul e Santa Catarina, além de atender algumas vezes pedidos de meu professor Emílio Kojei para substitui-lo na Escola Técnica de Comércio e posteriormente do Dr. Roberto Ferreira para preencher uma vaga na quarta série de Letras da FAFIPA, pois faltando aquela matéria e não haveria formatura da classe. Mas só voltei ao Rádio quando meu colega José de Matos Filho insistiu que eu voltasse transmitindo um tempo de jogo e ele o outro. Mas não demorou muito e só voltei para comentar o vice-campeonato Paranaense de 2003 e o título em 2007. Mas além do Paranaense, transmiti a Copa do Brasil, a Taça de Cobre, alguns amistosos internacionais como Grêmio 2×2 União Soviética, em Maringá, além de acompanhar a Copa do Mundo na Inglaterra em 1966 e no México em 1986, quando fazia boletins para a Rádio Paranavaí, através da B2/Club Paranaense que me cedeu o link”.

Narrou Jáber
ACP de 1952

Jáber trabalhou com excelentes profissionais, como Jackson Frazone, Chico Ferreira (ex-gerente da Caixa), Dr. Alberto Xavier, Odair Pereira, Ayrton Fagundes (que foi para a Guaíba de Porto Alegre), Haroldo Souza (que foi para a Rádio Gaúcha), Ferraz Júnior, Leo Ruiz, José de Matos Filho, Ademar Schiavoni (como comentaristas). Como repórter de campo com Armando Trindade Fonseca, para Jáber um parceiro com quem mais entrosava, pois sabia dos momentos que deveria entrar. Eventualmente trabalhou com o eclético Jackson Frazone e Odair Pereira.

As maiores emoções do aposentado Jáber Felippe, em transmissões dos jogos do ACP.

Não posso dizer na conquista do certame de 2007, pois fui o comentarista. As maiores emoções foram, em 1960 a vitória do ACP na prorrogação do jogo em Apucarana por 1 a 0, para classificar entre seis finalistas, pois além de ser o primeiro Campeonato Paranaense nosso, foi uma batalha campal, em que a torcida de Apucarana desceu das arquibancadas para agredir centenas de torcedores de Paranavaí na outra lateral do campo, os paranavaienses foram obrigados a derrubar a cerca de madeira para fugir de um massacre nunca visto em um campo de futebol. Eu e o Efraim tivemos que parar a transmissão porque os próprios colegas de Rádio de Apucarana impediram a nossa presença na cabine numa atitude hostil e vergonhosa. Tivemos que gravar a prorrogação sentados na escada e repassar por telefone desde a cidade de Mandaguari para nossos torcedores, foi inesquecível esse episódio”.  

Explanou Felippe
Time da Família Felipe

Na continuidade das emoções.

A outra grande emoção, foi a vitória de 2 a 1 sobre o Atlético Paranaense em 1968, pois era uma espécie de vingança. O time de Paranavaí tinha sido campeão da Segundona em 1967 e o CAP havia sido rebaixado para a Segunda Divisão, mas não aceitava. Queria permanecer na 1ª Divisão e o ACP não subir. Houve protestos da imprensa do interior, principalmente a Folha de Londrina, com o Ivo Cardoso, emissoras, prefeitos, deputados, torcedores em marcha, protestos que chegaram a ameaçar tirar o título de cidadão do governador Paulo Pimentel (que nada tinha a ver com isso). Mas foi a grande arma, Pimentel interferiu junto à Federação Paranaense para apaziguar. No fim, o ACP subiu por direito e o CAP permaneceu por injustiça. E nesse primeiro encontro entre os dois, o Atlético trazia os bicampeões Djalma Santos e Bellini, o ponta Dorval, bicampeão do mundo pelo Santos FC., o Zé Roberto e outros craques. O ACP tinha um bom time e um baiano de nome Aloisio que marcou dois gols, quase fez cair as arquibancadas do Natal Francisco, pela vibração contagiante dos torcedores”.

Lembrou Jáber

Para Jáber os melhores atletas que passaram pelo ACP foram: Ranulfo, ex-São Paulo e Seleção Carioca, Pedrinho que despontou aqui, Hugo médio volante, Padreco artilheiro nato, Paraná que veio de Metropolitano de Criciúma e Ferroviário de Curitiba cujo pai foi o criador do Jardim Santos Dumont, Tutú, Mota, ex-Portuguesa de Desportos e América de Rio Preto, Didi que foi vendido à Portuguesa de São Paulo, Vanderlei, goleiro do Santos, Noriva que fez ala com Pelé no Santos e depois América de Rio Preto, Bassú ex-Fluminense, Gonçalo ex-Bonsucesso, Escobar, Sosa, Rubens Gimenes e Xulipa da Seleção Paraguaia e outros. Qualquer um deles na opinião do narrador versátil, hoje seriam titular da Seleção Brasileira, sem qualquer desmerecimento.

ACP NA TERCEIRA DIVISÃO

Que tipo de investidores? Gente que vem aqui se aventurar para ganhar dinheiro sem se importar com o conceito do clube? Investidor tem que ter dinheiro para bancar o time e suas bases, rendendo dividendos para ele e para a agremiação, revelar jogadores e o time ter condição de concorrer com as demais agremiações”.

Questionou Jáber
Jáber no time do Harmonia

Jáber citou algumas vendas de atletas do ACP.

Afora o Didi, vendido a Portuguesa, o Viraci vendido ao Juventus, o Padreco e Reis para o Coritiba, quem o ACP vendeu na sua história? Temos jogadores de Paranavaí no cenário nacional como Miranda (que jogava no campo da nossa empresa, Danilo Avelar foi para a Europa e agora no Corinthians, Reinaldo Alexandre no Botafogo, Sorlei no Fluminense e Seleção Brasileira, Zeca no Santos, qual deles passou ou foi vendido pelo ACP? Acredito no profissionalismo na administração do clube, aliado a capacidade financeira para manter inclusive as bases. Muitos abnegados na direção, dispondo muitas vezes de recursos próprios, por amor ao clube. Mas a realidade hoje é outra. Vejam a administração do Corinthians, do Santos, do São Paulo, do Vasco e do Fluminense. Tiro o chapéu para o Athletico Paranaense, Palmeiras, Flamengo, Inter e Grêmio. A Europa dá bons exemplos, mas não aprendemos. Achamos que ainda somos os melhores do mundo. Mas individualmente é a maior fábrica de craques”.

Disse Jáber

Mensagem à nova direção acepeana.

Por estar afastado das lides, não sei quem é a nova direção. Espero que seja composta de pessoas que queiram o bem do clube, se interessem para tira-lo dessa situação vexatória, e que sejam competentes e com capacidade de angariar sócios contribuintes juntos ao comércio e indústria, com o aval das autoridades que devem dar apoio moral. Eu conheço bem o perfil dos torcedores do ACP. Não montem time “meia boca” que o torcedor não vai ao Estádio em grande número. Como exemplo cito os jogos de 2007, que na final reunia público de mais de 15.000 pessoas, talvez com performance melhor do que o Santos na Vila Belmiro.  Faço votos que tragam o torcedor de volta, para dignificar o conceito de Paranavaí com seu Estádio e um grande time”.

Finalizou Jáber Felippe

FATO INUSITADO

Foi na inauguração do Estádio Regional Felipão em 23 de setembro de 1992, com 25.000 torcedores e o Brasil com suas atenções voltadas para Paranavaí. o Brasil venceu Costa Rica por 4 a 2. Fui indicado pela comissão de inauguração do prefeito Rubens Felippe, meu irmão, para acomodar as 123 emissoras de Rádio e TV nas cabines e nas arquibancadas. A CBF exigias 12 cabines para emissoras que acompanham a Seleção pelo mundo, como Guaíba, BAND, Jovem Pan, Nacional do Rio, Paiquerê de Londrina, até a da Costa Rica, além da Rede Globo. Tínhamos as 12 cabines, mas as duas emissoras locais teriam que ceder as suas cabines, o que aconteceu. Ficamos agrupados, mais de 100 emissoras a irradiar as solenidades, presenças de autoridades estaduais (Governador), banda da PM do Paraná. Deu tudo certo, foi uma noite inesquecível, que poucas cidades do Brasil tiveram oportunidade de fazê-lo”.

Contou o locutor de vários esportes

Paranavaí 02/08/2020

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