Os brasileiros não devem ter vergonha de amar Messi

Pela segunda rodada do grupo J, a Argentina venceu a Áustria por 2 a 0 e garantiu a classificação antecipada para a fase eliminatória da Copa. Mas essa não é a notícia principal. Nas duas primeiras rodadas, todos os cinco gols da atual campeã foram marcados por Messi, que agora é o maior artilheiro da história dos Mundiais com 18 gols. Mas, acreditem, essa também não é a manchete.

O grande fato, que se repete ao longo das últimas décadas, é que a cada nova aparição Messi estende os limites que ele mesmo demarca no futebol mundial — em termos de técnica e de ascendência sobre o esporte. Ao mesmo tempo em que o camisa 10 é vinculado de maneira umbilical à Argentina, também é possível percebê-lo como um personagem que ultrapassa as fronteiras do futebol, tanto as reais quanto as invisíveis. Quando pisa em um campo de futebol, Messi se torna essência.

É por isso que os brasileiros não precisam ter vergonha de amar Lionel Messi. Porque amar Messi não significa torcer pela Argentina (e não há qualquer problema nessa eventual torcida), nem diminuir todas as entidades que o Brasil já ofereceu ao futebol. Na verdade, é preciso amar Messi de forma incondicional justamente por isso — ninguém como o brasileiro sabe reconhecer quando o futebol alcança a eternidade.

Aliás, a recíproca muitas vezes é verdadeira. Os argentinos gostam do nosso futebol quase tanto quanto gostam das praias de Florianópolis e do Rio de Janeiro. A despeito da rivalidade e de eventuais rompantes de superioridade, os argentinos são devotos ao futebol brasileiro. Ronaldinho Gaúcho é encarado como uma divindade — o mais maradoniano dos brasileiros. Nossa escola de laterais (saudades) é vista como um pilar do futebol capaz de encantar. A Seleção Brasileira, então, muitos hermanos a reconhecem como a maior instituição do futebol.

Os grandes se reconhecem. E talvez seja por isso que Messi, a menos que a memória me traia, jamais se manifestou de forma pejorativa ao futebol brasileiro — bem pelo contrário. É mais um motivo, como se precisasse, para que nos desvinculemos de qualquer constrangimento. Quem gosta de futebol pode amar Messi, sem pudor e sem vergonha.

O argentino Messi tem 18 gols em Copas do Mundo, tem 21 jogos como capitão da Seleção jogou 26 vezes pela Argentina, igualou-se a Fontaine e Jairizinho aos fazer gols em seis jogos consecutivos, perdeu 3 pênaltis em 3 Copas do Mundo (Islândia 2018, Polônia em 2022 e Aústria em 2026).

Fonte –  ge/Douglas Ceconello

Paranavaí 23 de junho de 2026