Do projeto em Paranavaí ao pódio mundial: a trajetória de “Bruno Jacaré”

O menino que começou a treinar Jiu-Jitsu em Paranavaí no início dos anos 2000 sem dinheiro para pagar a academia ou comprar um quimono, hoje celebra pódio no Mundial da modalidade. 

A história é do paranavaiense Bruno Cesar Dias, de 40 anos, mais conhecido como Bruno Jacaré, que conquistou recentemente o terceiro lugar no Mundial de Jiu-Jitsu, disputado em Las Vegas, nos Estados Unidos. Na categoria leve, até 76 quilos, faixa-preta, Bruno enfrentou uma chave com 71 atletas. A medalha é inédita para o Jiu-Jitsu de Paranavaí.

Mas, antes de chegar ao pódio mundial, Bruno precisou superar uma realidade muito diferente.

Ele conheceu o Jiu-Jitsu quando ainda era adolescente. O responsável por apresentar a modalidade foi Evandro “Cowboy” Abner, que o convidou para treinar depois de conhecê-lo na Igreja Emmanuel.  O convite aconteceu em um domingo à noite. Na segunda-feira, Bruno já estava no tatame da academia do sensei Marcelo Mercúrio.

Na época, porém, o esporte parecia distante da realidade financeira da família. Bruno não tinha condições de pagar as mensalidades e sequer possuía dinheiro para comprar um quimono.

Foi então que recebeu uma oportunidade que considera decisiva para sua trajetória. Marcelo Mercúrio o colocou em um projeto de Judô e concedeu uma bolsa para que pudesse treinar Jiu-Jitsu.

“Se não fosse isso, eu jamais conseguiria ter continuado treinando”, lembra Bruno.

Foi através do esporte que ele conheceu a esposa, Herica Tiburcio Dias, ex-campeã mundial de MMA pelo Invicta FC. Atualmente, o casal tem três filhos: Fernando, Arthur e Pedro. Toda a família pratica Jiu-Jitsu.

Em 2016, Bruno viajou para os Estados Unidos para passar alguns meses treinando e competindo. A experiência, porém, acabou mudando os planos.

Durante o período no país, ele recebeu uma proposta para dar aulas, treinar e representar uma equipe “Eu era um cara que não tinha nem uma bicicleta no Brasil e, graças a Deus e ao Jiu-Jitsu, estava tendo a oportunidade de mudar a minha vida”, conta.

Hoje administra academia, que possui 415 alunos e oferece, além do Jiu-Jitsu, Muay Thai, musculação e um estúdio de yoga.

A conquista em Las Vegas é apenas um dos capítulos de uma carreira construída ao longo de mais de duas décadas.

Bruno chegou à segunda colocação do ranking mundial de sua categoria e acumula resultados em algumas das principais competições do esporte. Foi terceiro colocado no Mundial de Jiu-Jitsu com quimono e também no Mundial sem quimono, além de conquistar segundos e terceiros lugares em campeonatos Pan-Americanos e Americanos.

Também foi terceiro colocado no Campeonato Brasileiro e soma mais de 20 títulos em competições da principal federação do Jiu-Jitsu.

Como professor, também passou a colecionar conquistas por meio dos alunos. Dois deles se tornaram campeões mundiais. Entre os destaques está o jovem Ícaro Moreno, que conquistou quatro títulos consecutivos no Pan Kids, uma das principais competições de Jiu-Jitsu infantil do mundo.

Quando Bruno subiu ao pódio em Las Vegas, a medalha de bronze representava muito mais do que uma colocação em uma competição. Simbolizava o caminho percorrido desde o primeiro treino em Paranavaí. 

“Se você falasse para mim, em 2002, que eu, um menino pobre, vindo de uma família humilde, que ninguém nunca tinha treinado artes marciais e que ninguém nunca tinha viajado para fora do Brasil, iria viver tudo que já vivi e estou vivendo, eu não iria acreditar”, afirma.

Para quem ainda está no início da caminhada, o paranavaiense deixa uma mensagem baseada na própria experiência:

“Tenha muita fé em Deus e, se tiver algum sonho, corra atrás dele e não dê ouvidos para quem tentar te desencorajar. Por mais difícil que seja, mesmo que seja por anos, confie e mantenha a fé em Deus.”

Fonte – Diário do Noroeste

Paranavaí 05 de outubro de 2026