51 Anos de história e as memórias marcantes do radialista “Cláudio Luiz”

De garoto sem talento para a chuteira a ícone dos microfones em Paranavaí: Cláudio Luiz Decleve celebra meio século de rádio, relembra o inesquecível título do ACP de 2007 e abre o jogo sobre um possível retorno aos gramados.

“Meu futebol era fraco demais… foi melhor mesmo virar radialista.”

A frase, dita entre risos e com a modéstia dos grandes contadores de história, resume com perfeição a trajetória de Cláudio Luiz Decleve. Nascido em Mandaguaçu há 65 anos e radicado em Paranavaí desde 1975, Cláudio até tentou o caminho das quatro linhas no Amador do Atlético Clube Paranavaí (ACP) sob o comando do técnico Biga. Mas o destino guardava para ele um palco muito maior: o das ondas do rádio.

Cláudio com Jota Lima em sorteio com cartas de ouvintes de programa musical, em 86.

Com 51 anos (em novembro completa 52) dedicados à comunicação e 18 anos emotivos como narrador esportivo, a voz de Cláudio Luiz se confundiu com a própria história do futebol paranavaiense.

Cláudio entrevistando Airton Lira (Seleção Brasileira Master).

A caminhada começou em 1975, com o empurrãozinho do tio Abel Decleve. Antes de narrar os momentos mais eletrizantes do esporte regional, Cláudio viveu todas as etapas da comunicação:

Cláudio na TV Imagem entrevistando o técnico Joaquim Violin, Silas Sanches era o assistente.

Atuou como sonoplasta, discotecário e chefe de escritório. Vendeu publicidade e comandou programas musicais repletos de cartas enviadas por ouvintes apaixonados. Passou pelo jornalismo até chegar ao setor esportivo, acumulando passagens marcantes pelas rádios Cultura e Paranavaí, além da TV Imagem (atual RPC).

Entre centenas de viagens, perrengues em cabines improvisadas e emoções ao vivo, um capítulo brilha com luz própria: o título paranaense do ACP em 2007, em pleno Estádio Vila Capanema, contra o Paraná Clube.

Cláudio e o ex-prefeito José Augusto Felipe (1993).

A vitória por 1 a 0 no jogo de ida em Paranavaí, com gol de falta do meia Tales, fez Cláudio passar uma semana inteira imaginando como encerraria a jornada esportiva caso o feito inédito se confirmasse. No jogo decisivo, o placar em 0 a 0 consagrou o vermelhinho da Fim da Linha.

Tales fez o gol que deu início a conquista em 2007 no WW.

“Quando o árbitro acabou o jogo, eu gritei ‘ACABOU!’ com a mesma força de um gol. Olhei para o gramado para chamar os repórteres Tito Costa e Antônio Falavigna, mas nenhum dos dois conseguia responder: estavam ambos chorando de alegria. É de arrepiar só de lembrar. Às vezes ouço a gravação e me arrepio até hoje.”

Maurício Yamakawa era o prefeito de Paranavaí em 2007, na cabine no WW com Tito e Flávio Antunes (in memoriam).

A volta para casa coroou o feito histórico. Paranavaí parou para receber os campeões com desfile em carro de bombeiros, lágrimas e uma multidão em festa pelas ruas da cidade.

Cláudio em jornada de jogo ruim no WW.

Narrar no interior do Paraná nunca foi tarefa para amadores confessa Decleve. Ao lado de nomes como Edson Campeão, Valcir Silva, Carlos Mazzin e tendo começado como repórter do saudoso Ferreira Junior, Cláudio enfrentou todos tipos de situações.

Cláudio como reporter de campo em 1998.

Conta ele que foi expressamente proibido de gritar gol do ACP durante uma transmissão em Clevelândia. Também passou sufoco com torcidas adversárias, como em Formosa do Oeste. Recebeu vaias e xingamentos em pleno Estádio Couto Pereira, em Curitiba.

Na ACIAP em homenagem à Armando Trindade Fonseca (in memoriam).

Há quase quatro anos, decepcionado com a fase amarga do ACP na Terceira Divisão e cansado das estradas perigosas do estado, Cláudio pendurou o microfone de narração. Atualmente, ele comanda com maestria os programas Show de Bola (das 11h às 12h) e Jornal da Cultura (das 12h às 13h) na Rádio Cultura.

Cláudio, Jota e Tito noprograma Show de Bola da Cultura FM.

No entanto, o apelo das arquibancadas é forte. A torcida cobra o seu retorno para cobrir a temporada de 2027, em que o ACP comemora 20 anos da sua maior conquista no futebol.

Em um programa Show de Bola que era aos sábados, no Bar do Sidalino (in memoriam).

A garganta ainda aguenta grita gol por um bom tempo, eu acho.

Em 1990 na equipe Viracopos,

Cláudio sempre atuava quando jovem em equipes de amigos e de clubes de Paranavaí como Harmonia, Campestre, AABB e outros.

Transmissões bancadas pelo próprio narrador, sem apoio institucional da emissora, exigindo veículo adequado e equipe técnica completa (repórter e comentarista), isso complica a decisão para o retorno. Além de estruturas precárias (encontradas nas divisões inferiores), sinal de internet instável e falta de linhas dedicadas nos estádios.

Em 2015 no Campestre.

Cláudio esteve como reporter do narrador Ferreira Júnior, na inauguração do Estádio Waldemiro Wagner.

“O ACP hoje é uma empresa que busca retorno financeiro. Antes, a gente narrava por puro amor.”

Se a voz marcante do rádio paranavaiense voltará a ecoar pelos alto-falantes nos jogos em 2027, só o tempo dirá. Mas uma coisa é certa: a história de Cláudio Luiz Decleve já está eternizada no coração e na memória de todo torcedor do ACP.

Paranavaí 17 de agosto de 2026