“Lucas Pinheiro” é ouro, e Brasil conquista 1ª medalha nos Jogos de Inverno

O hino do Brasil vai ecoar nos Jogos Olímpicos de Inverno! Quis o destino que a primeira medalha da história do país — e da América Latina — fosse logo um sonhado ouro. O responsável pelo feito foi Lucas Pinheiro Braathen, que alcançou o topo do pódio no slalom gigante do esqui alpino.

A prova, realizada na manhã de hoje (14), teve ainda os suíços Marco Odermatt, com a prata, e Loic Meillard, com o bronze.

Giovanni Ongaro, o outro brasileiro na disputa, terminou em 31º.

O melhor resultado da história do país pertencia, até aqui, a Isabel Clark com a nona posição no snowboard cross em Turim 2006.

Lucas volta à pista na segunda-feira para as descidas do slalom masculino. A primeira tem previsão para 6h e segunda para 9h30 (horário de Brasília.

Lucas teve o melhor tempo da primeira descida ao completar o percurso em 1min13s92, quase um segundo de vantagem em relação ao segundo colocado, o suíço Marco Odermatt (1min14s87). O terceiro mais rápido foi Loic Meillard (SUI), com 1min15s49.

Curiosamente, o brasileiro não pareceu estar 100% satisfeito com o tempo logo após completar a prova. Nenhum adversário, porém, esteve próximo de ameaçar sua liderança.

A definição dos medalhistas aconteceu pela soma dos tempos de ambas as apresentações. Ele completou a segunda descida em 1min11s08, somando tempo total de 2min25s00, e confirmando o ouro.

Odermatt fez a primeira descida em 1min14s87 e a segunda em 1min10s71, total de 2min25s58. Loic fez a primeira descida em 1min15s49 e a segunda em 1m10s68, somando 2min26s17. Giovanni Ongaro terminou com o tempo somado de 2min34s15.

O Brasil é o nono país a conquistar uma medalha de ouro no slalom gigante. Antes dos Jogos de Milão-Cortina, Áustria, Suíça, Itália, França, Noruega, Estados Unidos, Suécia e Alemanha alcançaram o topo do pódio.

O Brasil é o terceiro país do Hemisfério Sul a chegar a um pódio nos Jogos Olímpicos de Inverno, e os dois anteriores da Oceania: Austrália e Nova Zelândia.

Nova Zelândia chegou ao pódio na edição de Albertville, em 1992, com Annelise Coberger, no esqui-alpino. A Austrália também conquistou sua primeira medalha nas Olimpíadas de Inverno dois anos depois, em Lillehammer-1994, na disputa por equipe masculina na patinação de velocidade em pista curta. Austrália foi o primeiro com ouro, em Salt Lake City-2002, com Alisa Camplin no esqui estilo livre.

Com a medalha no peito, Lucas Pinheiro consegue corresponder à grande expectativa que havia sobre ele antes dos Jogos. O atleta desembarcou em Milão-Cortina para defender o Brasil pela primeira vez nas Olimpíadas, e como um dos postulantes a pódio — chegou como segundo do ranking mundial no slalom gigante e com três medalhas de prata em etapas da Copa do Mundo nesta temporada.

Nascido em Oslo, na Noruega, o esquiador é filho de Bjorn Braathen e da brasileira Alessandra Pinheiro de Castro. “Parece roteiro de filmes clássicos de comédia romântica, mas é real. Meu pai veio ao Brasil a passeio nos anos 1990 e trocou olhares com a minha mãe Alessandra no aeroporto, em São Paulo. Os dois embarcaram no mesmo voo para Miami, nos Estados Unidos, e, acreditem ou não, sentaram-se lado a lado (…) A paixão foi arrebatadora, e minha mãe se mudou para a Noruega para viver esse amor com meu pai.

Ele decidiu defender o verde e amarelo em 2024, após ter até mesmo indicado o fim da carreira. “[Lucas] Tinha 23 anos e disse que tinha perdido o prazer de competir, que a confederação norueguesa não estava tratando da maneira que achava que era adequada. Depois, nos procurou e falou sobre o interesse de voltar a competir. Estávamos acompanhando a carreira. A mãe é de Campinas, mas, à época, ele não tinha passaporte brasileiro. Deu entrada na papelada, conseguiu e iniciamos o processo para ele defender o Brasil”, apontou Anders Pettersson, presidente da Confederação Brasileira de Desporto na Neve (CBDN), ao UOL, em janeiro.

Quero mostrar que é possível para um brasileiro se destacar em uma modalidade tão tradicionalmente europeia. Crescer entre duas culturas me ensinou que a diversidade é uma força. O Brasil é um país de várias culturas, e eu quero representar isso nas competições

Lucas Pinheiro, ao UOL, em setembro do ano passado.

Fonte – Alexandre Araújo e Carolina Alberti do UOL, no Rio de Janeiro (RJ) e São Paulo (SP).

Fotos – UOL

Paranavaí 14 de fevereiro de 2026