Aos 74 anos, “Paulo Reginaldo” é a voz da experiência e da paixão no futebol do Paraná

Da terrinha pernambucana de Pesqueira para a história do esporte paranaense: aos 74 anos e meio de idade, oriundo de família com 21 irmãos (todos do mesmo casamento entre João Ferreira da Costa e Beatriz, só oito estão vivos), Paulo Reginaldo Ferreira da Costa carrega nos lábios mais do que o sopro firme do apito. Ele carrega uma vida inteira dedicada às quatro linhas. Integrante do quadro da Liga de Futebol de Paranavaí também como assistente, o pernambucano é o árbitro em atividade mais velho de todo o Estado do Paraná.

Paulo foi assistente na Copa Moleque Serelepe no dia 19 de setembro no campo da Vila Operária.

Como atleta em 1976 na equipe Óleos Pacaembu.

Em entrevista exclusiva ao site Avelar Esportes para a coluna Recordando do Portal da Cidade Paranavaí, ele afirmou que sem dúvidas é o mais velho em atividade no Paraná.

Paulo Reginaldo em 1992 com Celestino e José Paulo.

Seja na Capital da Laranja ou pelos gramados de toda a região, a presença de Paulo Reginaldo na escala de arbitragem — seja como árbitro principal ou assistente — é sinônimo de respeito, autoridade e, acima de tudo, pedagogia. Mais do que aplicar a lei do jogo, “Seu Paulo ou Tio Paulo” faz da partida uma sala de aula, demonstrando paciência ímpar com a garotada da base ao ensinar cada regra e detalhe do esporte, e também à atletas adultos.

Paulo Reginaldo com Arivonil e Zé Leite em 1992.

Em Paranavaí está desde 1958, com 6 anos, foram morar na zona rural e trabalhou na roça até 14 anos, depois trabalhou por 3 anos no comércio de Paranavaí, foi servir o exército em Brasília (ficou 2 anos e meio), voltou e após 2 anos começou a trabalhar no D.E.R. (duas etapas). A primeira ficou 4 anos e 8 meses, depois casou e foi morar em uma fazenda (ficou quase 3 anos), trabalhou no Fripan (4 anos) depois retornou ao D.E.R. onde trabalhou até aposentar em 2019.

Na equipe do D.E.R. onde aposentou com três décadas de serviço.

A relação de Paulo (1.84m) com a bola não começou na arbitragem. Na juventude, foi jogador de talento e colecionou faixas de campeão com as camisas do EC Cruzeiro, EC Distrito Federal, D.E.R. e outras equipes, além de erguer taças no Infanto-Juvenil do tradicional Atlético Clube Paranavaí (ACP) e nos fortes Campeonatos Varzeano e Amador da época. Jogava inicialmente de zagueiro, depois volante e por último de lateral esquerdo.

Equipe D.E.R. de Paranavaí.

A transição para o comando das partidas aconteceu em abril de 1982. De lá para cá, lá se vão mais de quatro décadas de apito na boca e a bandeira nas mãos.

“Não consigo lembrar quantos jogos apitei, mas foram muitos”, relata o veterano.

A trajetória longa também teve momentos difíceis. Paulo admite que já sofreu agressões físicas de atletas em campo, mas nem as marcas do desrespeito pontual foram capazes de abalar sua vocação. Ele resistiu, permaneceu e se consolidou como uma instituição do apito regional, sempre muito respeitado, pois também respeita os atletas e dirigentes.

Com o sobrinho Paulo Rogério, um dos melhores árbitros na região Noroeste do Paraná.

Com uma vitalidade que impressiona, Paulo Reginaldo mantém uma agenda lotada em diversas modalidades e praças esportivas:

Atuações assíduas no futebol no Varzeano, Amador, Copa Amenorte, Copa SESC Fut7 e competições no Futebol Suíço tem sido a rotina de Paulo Reginaldo. Faz parte de um grupo de árbitros que tem atuado em competições de base no futebol em várias cidades de São Paulo, Goiás e Minas Gerais. Na Go Cup em Aparecida de Goiânia ele foi homenageado junto com outro árbitro idoso, arbitraram um jogo do Sub-11 entre Barcelona/Espanha e uma equipe do Japão.

E para quem pensa que a aposentadoria das cancheiras está próxima, o recado do experiente árbitro é direto: parar não está nos planos. O carinho, o respeito e o reconhecimento que recebe de dirigentes, organizadores e atletas alimentam sua paixão dia após dia.

Com Paulo Rogério e o grande amigo Zé da Néia.

Para passar o tempo Paulo Reginaldo ajuda a manter o campo do Jardim Morumbi, onde considera um lazer, uma terapia mental e espiritual, ajuda o técnico Chicletão com duas categorias de base (quase 50 atletas) de 11 a 13 e 4 a 17 anos, treinos as segundas (8h30 às 9h30 e 17 às 18h30) e as quartas na Escolinha de Base Jardim Morumbi. 

Com os amigos Vagner Léo, Caio Eduardo, Dejair Santana e Alex.

Enquanto houver futebol na região, a figura lendária de Paulo Reginaldo continuará ali: passos firmes, olhar atento, ensinando as regras aos mais jovens e provando que o amor pelo esporte desafia qualquer barreira do tempo.

Em ação no Estádio Waldemiro Wagner.

Paulo Reginaldo teve o irmão Jorjão como árbitro por várias décadas, e hoje trabalha junto com o sobrinho Paulo Rogério (filho de Jorjão) em várias competições no Paraná e no Brasil.

Paranavaí 28 de setembro de 2026