A saga de “Daniel”, ex-São Lucas no adeus precoce da Seleção Brasileira na Copa do Mundo

O MetLife Stadium estava pintado de verde e amarelo. Mais de 65 mil brasileiros (80% da capacidade da arena de mais de 80 mil lugares) transformaram o templo do futebol americano em um pedaço do Brasil. Entre eles, misturado à multidão pulsante, estava o empresário da construção civil Daniel Lopes.

São Lucas (Daniel é o último agachado da esquerda para a direita) equipe foi tricampeã do Paraná.

Ex-atleta das categorias pré-mirim e mirim do tradicional São Lucas de Paranavaí (onde jogou em 1993 e 1994), Daniel vive há 26 anos nos Estados Unidos foi em 2000. Antes residia em Santos. No último domingo (5), ele desembolsou a impressionante quantia de 1.800 dólares (cerca de R$ 9.620,00) por um ingresso para proporcionar ao filho Kevin, de 14 anos, a experiência inesquecível de ver a Seleção Brasileira de perto pelas oitavas de final da Copa do Mundo.

O que era para ser uma festa histórica, no entanto, transformou-se em um pesadelo tático e emocional: a Noruega venceu por 2 a 1, eliminando o Brasil precocemente.

Daniel e Kevin chegaram cedo, às 11h30, absorvendo a atmosfera contagiante que antecedeu o espetáculo, o jogo começou às 16 horas. Teve música boa e brasileira, resenha e o alto custo da paixão pelo futebol em solo americano: uma cerveja em lata saía por US$ 22, o refrigerante por US$ 7, um sanduíche por US$ 25 e um saquinho de pipoca US$ 12. Nada disso importava diante da chance de ver o Brasil avançar.

Mas quando a bola rolou, o tabu se impôs. O Brasil manteve a sina de nunca ter vencido a Noruega na história (agora são três derrotas e dois empates).

“Sinceramente, ficamos chocados e abismados com a derrota. Meu filho Kevin ficou querendo chorar, mas infelizmente não foi dessa vez que veio o Hexa (ele é fã do Neymar e torce para o Santos FC”, desabafou Daniel em entrevista ao site Avelar Esportes.

O resultado também confirmou um novo peso histórico: o país chegará a 2030 completando 28 anos sem conquistar uma Copa do Mundo. Com isso, o jejum atual se igualará ao maior período sem títulos mundiais da história da Seleção, registrado entre 1930 e 1958, antes da conquista do primeiro título brasileiro.

Para o empresário e ex-jogador da base do São Lucas, faltou leitura de jogo ao treinador brasileiro. O craque Neymar começou no banco de reservas e foi acionado apenas nos minutos finais do segundo tempo.

“Acho que faltou o técnico lançar atletas mais experientes como o astro santista. Se ele estivesse desde o início, com certeza bateria o pênalti que foi errado pelo Bruno Guimarães — que só havia cobrado quatro pênaltis em jogos oficiais na carreira”, criticou Daniel, sem esconder a frustração com as escolhas técnicas.

Gol de Haaland (foto de Getty Imagens/Via AFP).

A eliminação dói ainda mais quando colocada em perspectiva. A Noruega, um país de apenas 5,6 milhões de habitantes, desbancou o gigante do futebol mundial (Brasil de 213 milhões de habitantes) respaldada por uma organização que reflete seu próprio índice de desenvolvimento social. Rica em petróleo, gás e com uma economia prudente que garante um dos maiores níveis de bem-estar do planeta, a seleção nórdica agora carimba o passaporte para Miami, onde enfrenta a Inglaterra neste sábado (11), pelas quartas de final.

Apesar da dor da derrota, Daniel tenta extrair o lado positivo. “A experiência de ver nossa Seleção ao vivo foi legal e compensadora”, ressalta. O incentivo ao esporte, afinal, faz parte da rotina da família.

Kevin joga no ataque na categoria U14 do Cedar Stars Bergen de New Jersey.

Casado há duas décadas com Josiane, Daniel é pai de Sarah, Bianca e Kevin — todos nascidos nos EUA. Kevin, inclusive, segue os passos do pai no esporte: o jovem joga desde os 7 anos e atualmente defende o Cedar Stars Bergen na prestigiada MLS Next Homegrown, campeonato de base de elite nos Estados Unidos.

Daniel e Josiane com os filhos em New Jersey.

Com o coração dividido entre a vida consolidada na América (onde comanda sua própria construtora há uma década) e as raízes no Noroeste do Paraná, Daniel revelou que planeja uma visita em breve ao Brasil para rever amigos e familiares. Está há mais de 20 anos no ramo, sempre construindo belas residências na terra do Tio Sam.

A “Capital da Laranja e da Mandioca”, onde Daniel viveu de 1991 a 1998 e deu seus primeiros chutes com a camisa do São Lucas, já está confirmada na rota da viagem. A ferida da eliminação vai demorar para cicatrizar, mas o carinho por Paranavaí e a paixão pelo futebol continuam intactos.

Paranavaí 07 de julho de 2026