De Paranavaí para Bagdá: o desafio do atacante “Matheus Silva” no futebol iraquiano

O futebol é capaz de levar talentos locais aos cenários mais improváveis do globo. Atualmente, quem vive essa experiência de contraste cultural e superação esportiva é o atacante paranavaiense Matheus Vieira da Silva, de 28 anos e nascido em Paranavaí.

Defendendo as cores do Al-Zawara’a, um dos clubes mais tradicionais do Iraque, o jogador detalha como tem sido a adaptação em um país marcado por complexidades geopolíticas e um futebol de alta intensidade.

Após uma passagem de três anos pela Indonésia na equipe Persipura Jayapura, onde já estava consolidado e era figura conhecida da torcida, Matheus decidiu buscar novos ares no Oriente Médio. Segundo o atleta, a mudança exigiu um choque de realidade física.

O futebol aqui é mais físico, e de um nível mais alto. O jogo brasileiro tem menos intensidade que o daqui da Ásia, que exige muita força. Ainda estou em processo de adaptação”.

Falou o atacante.

Recentemente, a equipe de Matheus viveu um misto de euforia e frustração em uma competição continental. Após uma boa atuação em casa contra um adversário de orçamento superior (venceu por 3 a 2), o Al-Zawara’a acabou eliminado no jogo de volta (4 a 2). A derrota teve um peso emocional extra: o próximo adversário seria o Al-Nassr, da Arábia Saudita, time liderado pelo astro português Cristiano Ronaldo.

Abalou o elenco, pois tínhamos projetado passar de fase e pegaríamos o Al-Nassr. Ficamos sentidos, mas futebol é assim, exige atenção o tempo todo”.

Lamentou Matheus.

Embora o noticiário internacional destaque os conflitos e as raízes estruturais das crises no Iraque, Matheus afirma que, na capital Bagdá, a rotina esportiva segue sem interrupções.

Eu não vi nada, só acompanho pela mídia e TV. As competições continuam normais, sem paralisações. Em Bagdá, onde moro, não presenciei nada de diferente”, conta. Por precaução, o jogador mantém contato constante com a Embaixada Brasileira, que monitora a situação e envia alertas de segurança via mensagens.”

Finalizou o paranavaiense.

Fora das quatro linhas, os desafios são outros. A transição da acolhedora Indonésia para a cultura muçulmana do Iraque trouxe dificuldades de socialização.

  • Idioma: “O árabe é muito difícil, ele disse que não entende nada. Poucos falam inglês e as pessoas são mais fechadas, faz parte da cultura local.”
  • Convivência: O atacante encontra suporte nos outros estrangeiros do elenco, como o colombiano Riascos, com quem se comunica em espanhol.
  • Culinária: Se a comunicação é difícil, o paladar não sofre: “Gosta da comida árabe, não teve problemas com isso. O mais difícil mesmo é fazer amizade, não é tão simples”.

Mesmo longe de casa e enfrentando um ambiente de alta pressão, Matheus Vieira segue levando o nome de Paranavaí aos gramados do Oriente, focado em consolidar seu espaço em uma das ligas mais competitivas da região.

Paranavaí 10 de março de 2026